Contra o índio de tocheiro

Postado por Maria Carolina Almeida

Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.

Manuel Lopes Rodrigues, 1871. Igreja da Graça, Salvador.
Manuel Lopes Rodrigues, 1871. Igreja da Graça, Salvador. Domínio Público.

Neste aforismo, Oswald critica a evangelização e a figura romantizada dos índios sobrepondo, na figura do indígena que carrega o tocheiro (tipo de lamparina utilizada em missas e procissões), três diferentes imagens. A primeira, “o índio filho de Maria”, seria o indígena como elemento integrante da religião católica, no papel de filho da Virgem Maria.

A segunda imagem, “afilhado de Catarina de Médicis”, é a da índia tupinambá Paraguaçu, casada com Diogo Álvares – ou Caramuru -, um português que viveu entre os índios no início da colonização portuguesa no Brasil. O casal teria supostamente feito uma viagem à França e lá Paraguaçu teria sido batizada de “Catarina” pela então rainha francesa Catarina de Médicis. (AMADO, 2000, p. 4). Ela também teria se convertido ao catolicismo e passara a cultivar os costumes europeus e católicos (RIBEIRO, 1987, p. 8). Na tela ao lado, datada de 1871, do artista Manuel Lopes Rodrigues, que se encontra na Igreja da Graça, em Salvador, Catarina Paraguaçu é retratada com elementos cristãos e europeus, permanecendo apenas o penacho, identificando-a como indígena.

A terceira imagem, “genro de D. Antônio de Mariz” é a do índio Peri, personagem principal do romance “O Guarani” (1857), de José de Alencar. Idealizado e enobrecido por suas características heroicas, o índio apaixona-se por Ceci, filha do fidalgo português D. Antônio de Mariz e, para salvá-la, converte-se ao cristianismo.

Referências

ALENCAR, José de. O guarani. 20ª ed., São Paulo: Ática, 1996 (Bom Livro).

AMADO, Janaína. Diogo Álvares, o Caramuru, e a fundação mítica do Brasil. Revista Estudos Históricos, v. 14, n. 25, p. 3-40, 2000.

RIBEIRO, Arilda Ines Miranda. Mulheres e educação no Brasil-colônia: histórias entrecuzadas. Unicamp, 1987.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *